#memorabilia #jessycapacheco

Sou filha de um pai ausente, tenho mãe, tenho tia, primo que é sobrinho, este tem uma filha que é minha sobrinha-neta. Sou tia-avó! Tive nove irmãos sabidos, o mais velho é o pai do meu primo, ex-marido da minha tia, irmã da minha mãe. O irmão mais novo, filho de mãe e pai, não cabe nesta história. Dos outros, me faltam notícias.

Uma árvore genealógica composta de galhos que se estendem por lugares esquecidos.

Dos avós, conheci apenas os maternos. No finalzinho da vida, meu avô, que dava sinais de uma lucidez fugidia, contava que sua mãe, a bisa, havia sido “pega no laço” por um estrangeiro com quem teria gerado muitos filhos, dos quais quatorze sobreviveram. Dizia, com tom acre na boca, que era uma mulher brava e não parecia gostar de ninguém, menos ainda dele, que era o mais moço, mais baixo, o que no sol ficava acobreado. 

Minha avó escrevia cartas para a irmã, Rita, a tia-avó cujo contato só existia assim, mediado pelos envelopes que eu levava aos Correios, envelopes com letras tremidas, irregulares, às vezes sujos de alguma gordura de cozinha. Tinha um tio-avô, Antônio, homem alto, de uma brancura doente, trazia dor, medo e espanto a cada visita. A avó nunca contou as histórias de antes e com a idade, veio o Alzheimer, e ela foi para lá, pro antes que eu não conhecia, sem sair do lugar.

Por brincadeira divina ou falta de criatividade, vô e vó nasceram de Joaquins, um Rodrigues, outro Nogueira. As bisas, Rosa e Maria. Maria era de Alencar, e antes de casar, o nome da minha avó se cantava: Antônia Nogueira de Alencar.

Da avó ainda tem o Cantalista, nome que parece ter sumido através do tempo. 

Fiquei Rodrigues da Silva, adicionando o pai Pacheco. Nome de espanhol em Portugal e demoníaco em literatura. 

Essas histórias só chegam até aqui.

Eu sigo, talvez meus pés encontrem um chão.

Ou talvez eu siga suspensa pelos galhos que me dão sustentação.

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